quinta-feira, 25 de maio de 2017

ü  Resenha
Michael S. Horton, O Cristão e a Cultura / Tradução: Elizabeth C. Gomes – SP.

Editora Cultura Cristã, 1998. Titulo original: Where in world is the church (1995).

Michel S. Horton é presidente da organização CURE (cristãos unidos para a reforma). Cursou a Universidade de Biola e o Seminário Teológico de Westminster. É Ph. D pelo Wycliffe Hall, Oxford, é autor de vários livros e conferencista já conhecido no Brasil.

Michael Horton chama-nos a uma reflexão sobre como o povo de Deus, a saber, os cristãos vivem como pensam e como deve ter uma visão bíblica e profunda, como viver em uma sociedade em que o nosso Deus ainda manda e sempre mandará!
Michael inicia seus argumentos com o termo “Cultura” que será muito analisado e debatido em seu livro, tomando também por base a Palavra de Deus, sempre analisando a luz do contexto do passado, presente e futuro. Michael interpreta a palavra “cultura” em seu mais profundo significado, abrangendo os aspectos gerais desta palavra em todos os seus âmbitos, específicos sociais e ortodoxos (esporte, política, músicas, ensino, literatura, etc). Ele mesmo nos mostra a sua compreensão da palavra “cultura”:

“Atividade humana que intenciona o uso, prazer e enriquecimento da sociedade”[1]

Michel também relaciona sua visão bíblico-reformada para entrar, no campo da igreja usando se de influência dentro do contexto em que ela vive e sobrevive a luz da cultura. Analisando assim o autor mostra-nos uma necessidade da igreja de Cristo de se voltar para uma vida prática, como povo de propriedade exclusiva de Deus (IPe 2:9). A igreja recebeu de Deus uma missão e por essa missão haveremos de prestar contas a Deus!

“Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou mal que tiver feito por meio do corpo” (2 Co 5:10).[2]

Abordando a visão geral do mundo, analisamos que o individuo que vem para servir a Deus, faz a confissão pública de fé, se isolando do mundo, fazendo uma separação radical das coisas que ele considera sagradas esquecendo assim as coisas mundanas. Longe de ser uma visão bíblica, vários de nós mesmos caímos nesta visão radical e ao mesmo tempo acética. Olhando a perspectiva de Michael vemos com os olhos de alguém ao qual Deus agraciou para trazer a luz ao seu povo, àquilo que a própria bíblia já dizia há muitos anos luz!
Muitos têm dificuldade em entender que Deus e soberano e reina em toda a esfera tanto física, como espiritual.
Somos agentes de Deus na terra para glorificá-los não somente nos trabalhos sagrados, mas também glorificar o nome do Senhor Jesus, em tudo aquilo que Deus colocar em nossas mãos para fazer e realizar, profissional e secular.
Temos uma mentalidade cega de que, trabalhar como um bom profissional e não trabalhar na igreja somos devedores a Deus (mas claro que devemos trabalhar para o crescimento da obra de Deus também). Precisamos aprender, e muito com essa visão que Michael trás para os nossos dias, trabalhar em qualquer tipo de atividade. Temos que dar o nosso melhor para a glória de Deus (Cl 3:23). Michael faz uma profunda análise nas áreas como: família, arte, música, literatura, ciência, educação, sempre à luz de uma cosmovisão cristã de que Deus é Senhor e tudo está sob o Seu controle Soberano (Rm 8:28). Michael e faz um paralelo social entre o sagrado e secular, dentro do âmbito da vida familiar:
“O lar cristão é a expressão mais básica do corpo de Cristo e, portanto, é uma instituição civil, arraigada na criação, e uma instituição sacra, arraigada na redenção”.

Trazendo agora mais uma reflexão sobre os vários aspectos da cultura vemos uma abordagem de Cristo e cultura, Cristo contra a cultura, o Cristo da cultura, Cristo acima da cultura, Cristo e a cultura em paradoxo, Cristo o transformador da cultura, sempre analisando a cultura segundo as escrituras sagradas e a visão humana de:
“Sagrado X Secular”, “Terra X Céu”. Traçando agora uma compreensão de Deus acima de tudo a Palavra de Deus como a verdade absoluta para todos nós, Michael visa mostrar que Deus e seus oráculos (Bíblia) ainda são e sempre será, a regra de fé e prática para todos nós!
A abordagem de Michael trás à tona uma realidade pós-moderna em nossa atual sociedade, pois temos em nossos dias uma total separação (ainda que errada na maioria das vezes) das coisas tidas como cristãs e não cristãs. Hoje vemos: boate gospel, músicas evangélicas, cerveja sem álcool gospel, roupas cristãs, etc. Agora, como separar o que é de Deus e o que, não é? Essa resposta é muito bem debatida e abordada por Michael sempre à luz de muita compreensão de Deus, e sua graça comum e salvifica. O autor nos revela com muita clareza que aquilo que Deus criou e bom o que tudo que é produzido pelos seres humanos é fruto da graça comum, e aquilo que é produzido pelo povo de Deus nunca deixará de ser para glorificar o nome dEle, mas tudo aquilo que é produzido de bom na esfera humana é produto da graça infinita e bondosa de Deus, seja música, filme, teatro, literatura e etc. Tudo é fruto da grandeza e majestade de Deus. Michael diz:

“Ao distinguir entre secular e sagrado, não estaríamos voltando ao isolacionismo e separatismo que diz haver um lugar certo para os cristãos neste canto, mas não naquele? ” [3]

Entrando agora em uma questão mais profunda Michael aborda tudo segundo a perspectiva da queda, criação e redenção, nos trazendo um esclarecimento profundo sobre este tema complexo para muitos nos dias de hoje. Já nos finais de sua obra o autor relata de uma forma agora mais especifica sobre a graça comum e graça salvadora, revelação natural e revelação especial, então Michael reconstrói os fundamentos sempre segundo a “Palavra de Deus.”.
Michael traz uma análise de que se quisermos ver uma transformação na cultura em que vivemos temos, por princípio, primeiramente olhar para o corpo de Cristo, sempre começando como primícia em nossa família. Devemos lembrar dos grandes nomes que fizeram à diferença em suas respectivas épocas, mas também devemos e precisamos fazer a diferença em nossa época, pois assim como Deus usou muitos profetas em tempos passados, Ele (Deus) quer usar a nós para uma grande obra na terra.

Michael abordou com muita firmeza e clareza os pontos pertinentes ao tema por ele mesmo propostos. Achei que em alguns pontos ele teve algumas repetições de idéias, mas nada que possa manchar seu ponto de vista, que o povo de Deus não pode entrar em uma caixa de vidro e simplesmente esquecer o mundo, ao mesmo tempo as coisas como músicas que parecem ser boas, pois a intenção por melhor e perfeita que pareça ser, tem que ser analisada segundo a Palavra de Deus. Michael mostra uma teologia que nos leva a “Jesus Cristo”, sempre sistematizando suas idéias.
Sabemos que Deus através da graça comum, produz coisas boas para aqueles que não são eleitos, mas como povo de Deus não devemos nos apoiar na graça comum para dar ibope para aquelas pessoas que não tem intenção alguma de glorificar ao nosso Deus.
 Para o cristão, ao mesmo tempo em que ele não pode fazer separação entre o sagrado e não sagrado, ele tem que fazer, pois o povo de Deus nasceu para glorificar o seu criador, o próprio Deus e Pai! Aquilo que é de Deus jamais poderá se misturar com as coisas mundanas.
“Contudo sabemos que Deus e Senhor e Mestre e, cuida do seu povo e tudo esta no controle do Seu Poder! ”


"A heresia vem montada nos lombos da tolerância" (John MacArthur)


'Tudo o que é necessário para o triunfo do mal, é que os homens de bem nada façam'.
(Edmund Burke)



Por: Reverendo Silvio Ribeiro




[1] Horton Michael – O Cristão e a Cultura (página: 12).
[2] Bíblia de Estudo de Genebra.
[3] Horton Michael – O Cristão e a Cultura (página: 90).

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